The Glenmorangie 25 The Altus – Etimologia

Uma das matérias não etílicas que mais me fascina é a etimologia. Que, etimologicamente falando, junta étymos (real) com logia (estudo, ou discurso). O termo define o estudo do sentido verdadeiro das palavras, e é bem esclarecedor. Por exemplo, burocracia, que é uma mistura de boureau, que vem do francês, e significa escritório, e kratos, que vem do grego, e significa poder ou governo. Ou seja, burocracia é o governo do escritório, basicamente. Democracia usa o mesmo kratos, mas substitui o poder do governo por dêmos, que é o poder do povo.
A etimologia é também um indício importante para entender a evolução, ou o surgimento, de uma língua. Português tem uma raiz latina. Então, boa parte das palavras derivou desta ancestral. A palavra “altura” é um exemplo bom. Ela vem de Altus, que, para os romanos, podia significar duas coisas antagônicas. Altura, mesmo, e também profundidade. Ou seja, um prédio podia ser altus, porque era alto. Mas um poço também podia ser altus, porque era profundo.
E aí, em algum momento da história, alguém sugeriu que talvez fosse mais prático inventar uma segunda palavra, e surgiu a profundidade. Que, por sua vez, vem de profundus (longe do topo), e é a amálgama entre “pro“, que não tem a ver com o iPhone ou o BYD, mas significa “adiante” e “fundus“, de “fundo” obviamente. É literalmente algo que vai em direção ao fundo.
Quando a Glenmorangie resolveu batizar seu The Glenmorangie 25 anos de “The Altus”, a turma do marketing provavelmente pensou nas duas coisas. A comunicação oficial simplifica o conceito. Diz que o whisky tem este nome por causa dos alambiques da destilaria, que estão entre os mais altos de toda a Escócia. Por conta de sua altura, estes alambiques incentivam o refluxo do destilado, e o tornam menos oleoso, mais leve.
O nome, entretanto, fica bem mais interessante ao considerar que Altus é, também, profundidade. Ocorre que em 1995 a Glenmorangie lançou seu Madeira Wood Finish, um de seus rótulos mais célebres. O Glenmorangie 25 anos The Altus é, declaradamente, um aceno àquele whisky. Ele passa 25 anos em barris de carvalho americano que antes contiveram bourbon whiskey. Depois, parte é transferida para barris de Malmsey Madeira. A mesma espécie usada no Madeira Wood Finish. É um retorno ao passado, e um aprofundamento (entenderam?) do que foi outrora realizado.
Existe outra peculiaridade interessante sobre o Glenmorangie 25 anos The Altus. Ele foi apresentado por Bill Lumsden, head de criação da Glenmorangie, como um whisky tradicional, e não algo inovador. Declarou que a ideira era fazer algo na mesma família do Infinita 18 anos, e do clássico 12 anos The Original. E não algo da família do Glenmorangie Signet. É, novamente, um aprofundamento de um tema sensorial que já existe.
Aliás, sensorialmente, o Glenmorangie 25 anos The Altus traz notas de mel, caramelo, gengibre e laranja. O final é longo e remete a marzipan com laranja. É um final nada agressivo, e bem puxado para a maturação. O que não surpreende, visto que o whisky tem idade mínima de vinte e cinco anos. É uma bebida sensacional, mesmo na categoria dos whiskies muito maturados.
E é ainda mais admirável que o The Altus não tenta reinventar Glenmorangie. Ele mostra que não é preciso grandes manobras para produzir um single malt fantástico. Ela simplesmente pega aquilo que a destilaria já sabe fazer muito bem e leva adiante. Ou para o fundo, dependendo de qual romano você perguntar.
GLENMORANGIE 25 ANOS THE ALTUS
Tipo: Single Malt Scotch Whisky
Destilaria: Glenmorangie
Região: Highlands
ABV: 43%
Notas de prova:
Aroma: frutado, cítrico, gengibre, caramelo, laranja.
Sabor: Adocicado no começo, com caramelo e laranjas. O final é longo, progressivamente mais seco e puxado para o marzipan e gengibre.

































